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COVID-19 : A busca pela cura

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O novo Coronavírus tem repercutido intensamente na rotina das pessoas em todo o mundo, modificando o estilo de vida e impactando no comportamento social, sanidade e economia mundial.

Com os casos da doença subindo rapidamente em todo o mundo, sobrecarregando hospitais e empurrando o número global de mortos para mais de 30.000, a necessidade de encontrar a cura para a Covid-19 acelerou dramaticamente.

Três meses após a explosão desta pandemia, ainda não está claro quais medicamentos são indicados no combate à doença viral e quais não, apesar de figuras públicas como o presidente dos EUA, Donald Trump, exaltar a promessa não comprovada de alguns medicamentos.

Com a saúde pública em jogo, a comunidade científica no mundo todo procura intensamente respostas emergenciais para o problema COVID-19.

Quando o novo Coronavírus atingiu a China, investigadores e médicos realizaram rapidamente dezenas de ensaios clínicos, testando possíveis medicamentos contra a doença. Entretanto, as pesquisas feitas na China, até agora, não geraram (e não divulgaram) dados suficientes e conclusivos.

“Vários pequenos ensaios com diferentes metodologias podem não oferecer evidências claras sobre quais tratamentos ajudam a salvar vidas”, afirmou o diretor geral da Organização Mundial da Saúde (OMS). A terapêutica experimental está sendo avaliada sistematicamente por pesquisadores no mundo todo.

Na esperança de obter evidências claras e fortes, a OMS lançou ensaios clínicos multinacionais para testar diferentes tratamentos.

Ao invés de levar anos para desenvolver e testar compostos a partir do zero, a OMS e outros pesquisadores querem redefinir os medicamentos que já foram aprovados para outras doenças e que são seguros. Eles também estão analisando drogas experimentais que tiveram bom desempenho em estudos com animais contra outros dois Coronavírus mortais, que causam a SARS e a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS). Considerando-se também a abundância dos compostos, que deverão ser suficientes para tratar número substancial de pacientes.

No total, há pelo menos 12 possíveis tratamentos, sendo que, mais expressivamente, quatro regimes de medicamentos são testados como terapia para o COVID-19.

Os medicamentos são: Remdesivir; o antimalárico Cloroquina (ou hidroxicloroquina); uma combinação de dois medicamentos para o HIV; e os medicamentos para HIVs (mencionados anteriormente), em conjunto com o Interferon antiinflamatório beta.

Os estudos serão flexíveis e poderão adicionar ou descartar tratamentos ou locais adicionais de tratamento ao longo do tempo. Sendo assim estudos similares ao estudo adaptativo que o Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas iniciou nos EUA, em fevereiro, que inicialmente se propôs a testar o Remdesivir, mas que poderá se expandir para outras drogas.

Centenas de ensaios clínicos e laboratoriais estão acontecendo no mundo inteiro. Em resumo, vamos te nortear sobre as principais vertentes científicas sendo testadas:

CLOROQUINA OU HIDROXICLOROQUINA

HIDROXICLOROQUINA

Medicamento conhecido como antimalárico, existe há décadas no mercado farmacêutico.

Ensaios realizados identificaram resultados positivos sobre o efeito desta droga em células. Em laboratório, foi observado que a droga impede que o novo Coronavírus se multiplique em células humanas.

“Alguns estudos laboratoriais, nos últimos anos, mostram que esta droga tem atividade contra vírus”, afirma Caleb Skipper, pós-doutorado em doenças infecciosas da Universidade de Minnesota, que trabalhar testando o medicamento.

A hipótese do Dr. Skipper é que a hidroxicloroquina pode impedir as pessoas expostas ao vírus de desenvolver doenças graves. Neste estudo, esperam recrutar profissionais de saúde, com alto risco de exposição ao vírus, e testar o tratamento na fase inicial, inibindo a capacidade de multiplicação do vírus.

Embora alguns dados tenham sugerido que este medicamento poderá ajudar pacientes com Covid-19, toda a pesquisa sobre a droga está em estágio inicial, ainda longe de ser considerada eficaz.

Apesar das poucas evidências, pessoas públicas de importância mundial, levaram a mensagem de que a hidroxicloroquina e a cloroquina são as soluções para o surto de Covid-19. Como resultado, a demanda pelo medicamento aumentou e os fabricantes estão elevando a produção.

Na Nigéria, duas pessoas tiveram overdose do medicamento após declarações de figuras públicas afirmarem que a droga curava.

E outra questão preocupante é que, as pessoas que tomam este medicamento por outras condições, como o lúpus, estão com muita dificuldade para acessar seu suprimento habitual.

A hidroxicloroquina pode realmente fazer mais mal do que bem. Possui muitos efeitos colaterais, podendo prejudicar o funcionamento do coração, além de causar envenenamento quando tomado de forma inadequada.

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LOPINAVIR-RITONAVIR

 

Na Tailândia, médicos afirmaram ter observado pacientes com Covid-19, melhorarem após o uso combinado de dois medicamentos para o tratamento de HIV, o Lopinavir e Ritonavir. Com isso, a OMS está testando a combinação destes medicamentos e com a adição do Interferon antiinflamatório beta, que o corpo produz naturalmente para afastar os vírus.

Em estudos preliminares, a combinação de medicamentos apresentou efeito positivo em pacientes durante os surtos de SARS. Contudo, na China, ensaio clínico não identificou efeito desses dois medicamentos em pacientes com Covid-19.

O estudo realizado com grupo de 199 pacientes gravemente doentes foi publicado esta semana. De acordo com Timothy Sheahan, especialista em Coronavírus e professor da Escola de Saúde Pública Global da Universidade da Carolina do Norte, o fato da combinação ter falhado pode ser devido ao uso do medicamento em pacientes em estado avançado da doença.

REMDESIVIRRITONAVIR

O Remdesivir é um antiviral desenvolvido para tratar o Ebola, mas que também pode apresentar efeitos contra SARS e MERS nas células. Alguns testes laboratoriais mostraram que ele também pode inibir o novo Coronavírus nas células.

Embora apresente resultados promissores, esta droga ainda está sendo testada em diferentes ensaios clínicos realizados pela OMS e os EUA. Antes de divulgar e entregar os medicamentos a pessoas doentes em massa, é necessário ter certeza que ele realmente funciona.

Então, como os estudos ainda não são conclusivos, a comunidade científica ainda não indica Remdesivir para tratamento de pacientes com Covid-19.

OUTRAS DROGAS

Outros estudos que não fazem parte da OMS, como os desenvolvidos no Japão, que está estudando a droga Favipiravir (usada contra Influenza), testa a atividade antiviral do medicamento nas células. Por não ser tão eficaz contra o MERS, cientistas questionam se esse medicamento seria indicado para o tratamento da Covid-19.

A inflamação pulmonar em pessoas com casos graves de Covid-19 fez com que algumas empresas farmacêuticas direcionassem ao aumento da produção de antiinflamatórios.

Há ainda outra vertente de pesquisadores, que atentam a estudos de identificação de anticorpos protetores, que as pessoas desenvolvem após serem infectadas pelo vírus, como mecanismo para fabricação de um tratamento efetivo.

De forma geral, os ensaios clínicos levam tempo para coletar dados de maneira adequada, e por isso, é provável que só haja evidências concretas a partir do próximo mês ou mais tarde.

Os pacientes experimentais já estão recebendo esses medicamentos por meio de programas de uso compassivo, que permitem que os médicos solicitem medicamentos experimentais em certos casos e sob uso fora da indicação prescrita.

Com base em evidências, cientistas estudam os diferentes tratamentos, garantindo o processo de ensaio clínico adequado, sem tirar conclusões precipitadas sobre a melhor forma de tratar os doentes.

O grande número de ensaios em andamento por todo o mundo, para cada tratamento sugerido, dará aos pesquisadores mais dados para trabalhar e assegurará menor margem de erro e maior segurança na administração desses medicamentos.

Enquanto a comunidade científica ainda não divulga o tratamento ideal, podemos fazer a nossa parte e evitarmos o aumento da disseminação do novo Coronavírus.

Fique em casa. E lave bem as mãos com água e sabão. Evite aglomerações. Salve vidas!

Written by Ana Paula Maia

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