Empresa é condenada a pagar indenização milionária por câncer atribuído a talco

Johnson & Johnson foi condenada nos EUA

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Jackie Fox usou pó de talco desta marca na sua higiene íntima durante 35 anos, morreu em 2015, aos 62 anos, de câncer do ovário. “A J&J sabia já na década de 1980 sobre os riscos, mas mentiu ao público, mentiu às agências regulamentárias”, defendeu o advogado da família, Jere Beasley, à imprensa.


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Na ação, a família argumentou que a empresa conhecia os riscos do produto, mas não avisou os consumidores.

O júri condenou a companhia por responsabilidade por “produto defeituoso, negligência e conspiração”, afirmou Jere Beasley, um dos advogados de acusação à BBC Mundo. Os familiares de Fox têm direito a receber uma indenização de 10 milhões de dólares e outros 62 milhões de dólares por danos e prejuízos de caráter punitivo.

A empresa nega a acusação e já anunciou estar providenciando um recurso. A questão é que, nos EUA, como os produtos que contêm pó de talco são classificados como cosméticos, não são supervisionados pela autoridade de segurança do país, a FDA (de Food and Drug Administration). “Nós somos solidários com a família, mas acreditamos fortemente na segurança de nossos produtos de talcos que estão apoiados em décadas de evidências científicas”, disse a porta-voz da empresa Carol Goodrich.

A Justiça entendeu que a Johnson & Johnson falhou no dever de informar os consumidores sobre os perigos dos seus produtos. Ainda, a acusação afirmou que o produto da J&J não era o causador do câncer, mas um fator colaborador que não pode ser negligenciado. A senhora tinha um ritual de cuidados pessoais por décadas que incluía o uso do talco para bebê da marca, além de outros produtos. É a primeira vez que um júri dos EUA decide pela cobrança de danos e prejuízos em um processo sobre os possíveis efeitos prejudiciais do talco em produtos.

Durante o julgamento, outro advogado da família de Fox, Allen Smith, mostrou aos jurados estudos realizados por Daniel Cramer, professor da Universidade de Harvard (EUA), o último deles publicado em dezembro passado. Essa pesquisa conclui que o talco está associado a um aumento de 33% no risco de câncer nos ovários, algo que nem todos os estudos corroboram.
“A empresa conhecia todos os estudos 30 ou 40 anos atrás”, afirmou Smith ao júri.

Risco Pequeno

A Câncer Research, órgão que atua na investigação sobre o câncer no Reino Unido, afirma que a evidência “ainda é incerta”. “Mesmo que exista um risco é provavelmente muito pequeno”, disse a associação.

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