Jobs declara guerra contra o Google

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O presidente da Apple, Steve Jobs, fez uma visita inesperada à conferência da companhia que detalhou os lucros no quarto trimestre fiscal, na segunda-feira, na Califórnia (EUA). Durante sua breve apresentação, o chefão da Apple alfinetou empresas rivais, como a RIM, responsável pela linha de smartphones Blackberry, e o Google, desenvolvedor do sistema operacional móvel Android e, uma observação mais cuidadosa sobre seus comentários demonstram que ele se aproveitou de uma situação em que todas as atenções estavam voltadas a ele para massacrar o Google de diversas formas:


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  • O volume de ativação diária do Google, que Jobs diz que a Apple ultrapassa, hoje, por quase 40%;
  • O volume de aplicativos na loja do Google, que Jobs diz que a Apple ultrapassa, hoje, por 220%;
  • A zombaria do Google sobre a plataforma fechada da Apple, que Jobs disse que é um comentário adequado para um esgoto a céu aberto;
  • O tratamento que o Google dá a seus desenvolvedores, que Jobs diz que os força a gastar mais tempo testando e ajustando 244 versões individuais do Android, contra 2 da Apple;
  • A propagação de quatro diferentes versões da loja de aplicativos do Google, contra a única App Store da Apple;
  • A propensão do Google a forçar seus consumidores a se tornarem integradores, o que Jobs diz que vai contra o foco da Apple, que busca sempre o melhor para seus consumidores – uma filosofia que, de acordo com Steve Jobs, garante que “o usuário não é obrigado a se tornar um integrador de sistemas”; e
  • A falta de prontidão do Google com o Android para tablet, o que Jobs diz ter resultado no anúncio do Google aos seus desenvolvedores para não criarem para a atual versão Froyo, e sim para esperarem pela nova versão, específica para tablet, que deve ser lançada em 2011.

Para os CIOs, esses não são comentários aleatórios dos ricos e poderosos – mas sim, uma espiada no futuro do que pode muito bem se tornar o principal foco de suas estratégias de TI: os dispositivos móveis (confira reportagem da InformationWeek ),  que estão se transformando em ferramentas geradoras de renda em tempo real, não apenas para as equipes de venda, mas também para muitos (para a maioria? para todos?) dos funcionários da área de marketing.

Em tal contexto, os comentários de Jobs sobre os produtos do Google, suas estratégias e sua consideração por seus consumidores e desenvolvedores ganham muita importância enquanto começamos a planejar, ou aceleramos os planejamentos, de nossas estratégias móveis de tecnologia do negócio centradas no consumidor.

Agora, todos nós sabemos que concorrentes gostam de ofender e criticar uns aos outros, o tempo todo, e que, geralmente, essas rixas públicas tendem a estar longe da realidade, representando um mundo fantástico em que o que “fala demais e faz de menos” apenas gostaria que fosse verdade. Portanto, talvez Steve Jobs esteja apenas uivando para lua e latindo para o Google, na esperança de desviar a atenção de algo que ele não quer que o público tome conhecimento.

Mas, mesmo que nenhuma empresa possa, jamais, alegar não ter defeitos, a Apple, nesse momento, opera em um nível tão alto de precisão, excelência e inovação que é quase impossível encontrar alguma falha em sua estratégia, execução, operações, tempo, posicionamento ou aspirações.

Vamos ver alguns desses comentários afiados de Jobs, sobre o Google (disponíveis por completo em seekingalpha.com):

Sobre fragmentação: “O Google adora caracterizar o Android como aberto, e o iOS, da Apple, e o iPhone, como fechados. Achamos que essa caracterização é um pouco falsa e oculta a verdadeira diferença entre as duas abordagens. A primeira coisa que nos vem à mente quando ouvimos o termo “aberto” é Windows, que está disponível em uma grande variedade de dispositivos. Diferente do Windows, no entanto, em que a maioria dos PCs tem a mesma interface de usuário e rodam o mesmo aplicativo, o Android é muito fragmentado. Muitos OEMs do Android, incluindo os maiores – HTC e Motorola – instalam interfaces de usuário proprietárias para diferenciar seus produtos da experiência do produto Android. O usuário precisa entender e descobrir tudo sozinho. Compare isso com o iPhone, que é igual em todos os aparelhos.”

Reduzindo os esforços dos desenvolvedores: Jobs disse que o popular cliente para Twitter, o TweetDeck, “relatou que tiveram de lidar com mais de 100 versões diferentes do software Android, em 244 aparelhos diferentes. As múltiplas iterações de hardware e software representam um intimidante desafio para os desenvolvedores. Muitos aplicativos para Android funcionam apenas em aparelhos selecionados, rodando versões selecionadas do Android. E isso é válido para aparelhos que foram lançados há menos de 12 meses. Compare isso com o iPhone, que tem apenas duas versões de software: a atual e a mais antiga.”

Integrado versus fragmentado: “Vemos um grande valor em ter a Apple e não nossos consumidores como integradores de sistema. Acreditamos que isso dê muita força a nossa abordagem, quando comparada com a do Google. Quando vendemos para nossos consumidores, que querem apenas um aparelho funcionando, acreditamos que ser “integrado” vence ser “fragmentado”. E também acreditamos que nossos desenvolvedores podem ser mais inovadores se mantiverem o foco em uma única plataforma ao invés de centenas de variáveis. Eles podem dedicar seu tempo a novas funções inovadoras ao invés de testarem centenas de aparelhos diferentes. Portanto, estamos muito comprometidos com essa abordagem de integração, sem nos importarmos com quantas vezes o Google a chame de ‘fechada’. E estamos confiantes que nossa abordagem irá triunfar sobre a abordagem fragmentada do Google, não importando quantas vezes o Google tente caracterizá-la com ‘aberta’.”

Quem se importa?

Eu imagino que a maioria de vocês deve estar pensando que se a Apple e o Google são duas empresas de consumidor, quem se importa com o tipo de briga em que elas se envolvem?  Mas não se importar é negligenciar as questões de longo prazo sobre como os negócios esperam que a tecnologia os torne melhores, mais rápidos, mais espertos (tbimauritius), mais conectados, mais intuitivos, mais colaborativos, mais brilhantes e – mais do que tudo – mais bem sucedidos nos próximos anos.

Se você acha que sua estratégia de desktops travados, que nunca saem do ar, nunca são hackeados e nunca são substituídos irão prevalecer em 2011 e 2012, só posso te desejar boa sorte.

Você acha que todo esse papo de dispositivos livres é moda? Você acha que o iPad não passa de um iPhone gigante, e que, por sua vez, o iPhone não passa de um símbolo de status, caro pra caramba, para seus colegas mais metidos? Você acha que o universo consumidor ainda está restrito à bolha de TI?

Se sua resposta foi “sim” para qualquer uma dessas perguntas, acredito que seu emprego esteja por um fio. E é por isso que essa batalha Apple-versus-Google é extremamente importante para os CIOs.

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1 comentário
  1. Androidiano Diz

    Siceramente eu acredito que o sistema Android está a ponto de modificar a visão que se tem de Smartphone. Hoje já existe aparelho com sistema Android que supera os iPhones. Sem falar que esse sistema é relativamente novo, foi lançado em 2009 e já está ameaçando o produto de Jobs, com certeza a Apple possui uma maior variedade de apps mas a google está alcançando isso inclusive oferecendo uma maior variedade de apps gratuitas. Para finalizar o que impede o Android de fazer sucesso no Brasil é a pouca oferta de produtos com esse sistema. Chegando o Desire aki o o iPhone ficará obsoleto.

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