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Professor sofre racismo e é agredido em hotel de luxo

O agressor confirma que confundiu a vítima como ladrão

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Luiz Heleno Bento é um professor de educação física que foi agredido com chutes no hotel Grand Mercure na Vila Olímpia, na Zona Oeste de São Paulo, no último domingo, dia 06, após ser confundido com  um ladrão por outro hóspede.

O educador físico informou à polícia que estava no hall do hotel quando foi brutalmente abordado por um homem branco que disse: “O que foi? O que está acontecendo?”. Logo depois, o acertou com os chutes na altura do tórax. O agressor teria então adentrado no hotel e voltado posteriormente para pedir desculpas.

“Ô, negão, me desculpe, mas eu te confundi com um ladrão que tentou me assaltar antes”, teria dito o agressor á vítima.

O agressor relatou que estava hospedado no hotel, entretanto havia saído com o filho para beber quando sofreram uma tentativa de roubo na rua. E ao retornarem  ao Grand Mercure, contou que acreditou ter visto um homem parecido com aquele que tentou lhe roubar e revidou com os chutes. Após ser informado que a vítima era outro hóspede, resolveu pedir desculpas, todavia não foram aceitas.

Henrique Bento não aceitou as explicações e avisou que resolveria a questão na delegacia. O caso foi registrado no 27 º DP como injúria racial. Não há informações se o agressor foi preso ou pagou fiança.

“A agressão maior para mim foi ele ter falado ‘pensei que você fosse ladrão’. Ou seja, não vale de nada você ter estudo, você ser bom, você é negro você é pré-julgado. Você sofre agressão, preconceito. E ainda tem gente que diz que isso não existe mais”, disse o professor à GloboNews.

Em nota oficial, o hotel Grand Mercure, informa que o desentendimento aconteceu fora das dependências do empreendimento, e que foi prestado todo o atendimento necessário. E ainda informou que que é contra qualquer tipo de discriminação e que está à disposição para colaborar com as autoridades.

Veja também outros casos de racismo que foram condenados pela justiça.

Racismo no Brasil

De acordo com o Altas da Violência 2018, os negros constituem 54% da população brasileira, porém, representam 71,5% das pessoas assassinadas a cada ano no país.

Em 2016, a taxa de homicídios da população negra foi de 40,2 mortes por 100 mil habitantes. Sendo que o indicador para brancos, amarelos e indígenas foi de 16.

O agressor de Bento apenas não ficou preso porque foi acusado de injúria racial, o qual consiste na conduta de ofender a dignidade de alguém, e prevê como pena, a reclusão de 1 a 6 meses ou multa, previsto no código penal, em seu artigo 140. E prescreve em 8 anos.

Segundo o advogado Rennan Vilar, já o crime de racismo é caracterizado pelo preconceito, o qual, uma pessoa seja impedida de praticar atos de do dia a dia, como entrar em determinados locais, comprar determinados produtos, não ser atendido em algum estabelecimento, ou ser privado de algum trabalho, ou segregar do convívio comum com outras pessoas. Tal crime é inafiançável e imprescritível.

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