Quase completando 1 ano da tragédia de Brumadinho, que foi no dia 25/01, o Ministério Público de Minas Gerais denunciou 16 pessoas por 270 mortes, segundo o ministério publico, desde  2017, a Vale  a Vale sabia que a Barragem I,  em Brumadinho, não apresentava condições favoráveis de segurança.

O mais chocante é sabe que a empresa tinha um documento que indicava que, no pior cenário, 215 pessoas poderiam morrer em caso de rompimento, a Vale ainda calculou que, a cada vida perdida, teria que desembolsar 2 milhões e 600 mil dólares.

O promotor William Garcia Pinto Coelho, do núcleo criminal da força-tarefa que investigou a tragédia de Brumadinho, afirmou  que havia na empresa um sistema, batizado de GRG, continha informações sobre dez  barragens em situação de risco inaceitável, mas essas informações foram ocultadas da sociedade, de acionistas, investidores e do poder público.

“A situação inaceitável de segurança geotécnica da barragem I da Mina Córrego do Feijão era plena e profundamente conhecida pelos denunciados, os quais concorreram para a omissão na adoção de medidas conhecidas e disponíveis de transparência, segurança e emergência, assumindo, desta forma, o risco de produzir os resultados decorrentes do rompimento”, disse o promotor.

Com relação as outras nove barragens do tal sistema, o MPMG informou que há auditores trabalhando para o órgão para saber a real situação em que elas se encontram. Algumas delas, inclusive, sofreram algum tipo de intervenção após a tragédia, como em Itabira e Ouro Preto, em Minas Gerais.

Segundo o promotor, o próprio presidente da Vale, evitava ao máximo que riscos das barragens fossem tratados, poucos dias antes da barragem se romper, o presidente da Vale, recebeu um email de um funcionário de forma anonima alertando sobre o risco que a barragem 1 de Brumadinho,  mas ao inves de ouvir ele deu ordens para identificar e retaliar o denunciante anônimo.

 Ele deu duro comando de retaliação, mandando extirpar aquele ‘cancro’ da corporação. Foi um recado muito poderoso de uma regra informal, não escrita, de que problemas não deveriam chegar à alta cúpula,disse Coelho.

Lista dos denunciados

Da mineradora Vale e da empresa Tüv Sud, foram denunciados os seguintes empregados:

  1. Fábio Schvartsman, diretor-presidente da companhia;
  2. Silmar Magalhães Silva, diretor do Corredor Sudeste;
  3. Lúcio Flávio Gallon Cavalli; diretor de Planejamento e Desenvolvimento de Ferrosos e Carvão;
  4. Joaquim Pedro de Toledo, gerente-executivo de Planejamento, Programação e Gestão do Corredor Sudeste;
  5. Alexandre de Paula Campanha, gerente-executivo de Governança, Geotecnia e Fechamento de Mina;
  6. Renzo Albieri Guimarães de Carvalho, gerente operacional de Geotecnia do Corredor Sudeste;
  7. Marlene Christina Oliveira Lopes de Assis Araùjo, gerente de Gestão de Estruturas Geotécnicas;
  8. César Augusto Paulino Grandchamp, especialista técnico em Geotecnia do Corresor Sudeste;
  9. Cristina Heloiza da Silva Malheiros, engenheira sênior na Gerência de Geotecnia Operacional;
  10. Washington Pirete da Silva, engenheiro especialista da Gerência Executiva de Governança em Geotecnia e Fechamento de Mina;
  11. Felipe Figueiredo Rocha, engenheiro civil que atuava na Gerência de Gestão de Estruturas Geotécnicas.
  12. Chris-Peter Méier, gerente-geral da empresa;
  13. Arsênio Negro Júnior, consultor técnico;
  14. André Jum Yassuda, consultor técnico;
  15. Maroto Namba, coordenador;
  16. Marlísio Oliveira Cecílio Júnior, especialista técnico

Nota da Vale

“A Vale informa que tomou conhecimento nesta data, 21 de janeiro de 2020, do oferecimento de denúncia pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) com relação ao rompimento da Barragem I, na Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG).

Sem prejuízo de se manifestar formalmente após analisar o inteiro teor da denúncia, a Vale desde logo expressa sua perplexidade ante as acusações de dolo.  Importante lembrar que outros órgãos também investigam o caso, sendo prematuro apontar assunção de risco consciente para provocar uma deliberada ruptura da barragem.

A Vale confia no completo esclarecimento das causas da ruptura e reafirma seu compromisso de continuar contribuindo com as autoridades”.

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