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Vírus da febre amarela pode ser detectado em urina

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Com essa descoberta os testes diagnósticos da febre amarela podem ser mais eficazes e rápidos. A descoberta foi publicada na revista Emerging Infectious Diseases, do Centro para Controle e Prevenção de Doenças, agência de proteção à saúde dos Estados Unidos.

A equipe responsável pela descoberta é do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP) com a colaboração dos institutos Butantan, de Infectologia Emílio Ribas e da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

Segundo o artigo, a detecção a partir da urina é uma nova ferramenta para os diagnósticos, reduzindo a quantidade de resultados falsos negativos. Para o coordenador do projeto, o professor da USP Paolo Zanotto, o método também é interessante por ser menos invasivo do que os exames de sangue, método tradicional de diagnóstico da doença.

A nova possibilidade de diagnóstico é surpreendente, de acordo com Zanotto, uma vez que a febre amarela tem sido alvo de intensas pesquisas há muito tempo. “O vírus da febre amarela é estudado há mais de 100 anos em detalhes e esse é um vaso que estava no meio da sala e a gente nunca tinha visto”, ressaltou.

O último balanço divulgado ontem (7) pelo Ministério da Saúde aponta para 353 casos da doença em todo o país, com 98 mortes, entre 1º de julho de 2017 e 6 de fevereiro deste ano. Até o momento, não foi identificada transmissão da febre amarela na área urbana.

Leia : Febre amarela, o que você precisa saber antes de tomar a vacina

Febre Amarela na urina

Para realizar o estudo, os cientistas acompanharam um paciente de 65 anos de idade, que esteve em Januária (MG) em 28 de dezembro de 2016, e em uma área rural do estado de São Paulo em 3 de janeiro de 2017.

No dia 6 de janeiro apresentou os primeiros sintomas de febre amarela: febre, dores no corpo e náusea.

No dia 16 de janeiro, quando ele já estava ruim e tinha perdido 4 quilos em oito dias, os exames de sangue deram resultado negativo para a presença do vírus. Porém, o diagnóstico por meio da urina indicou a presença genética do vírus nessa oportunidade e ainda no dia 27 daquele mês.

“Quando uma pessoa com suspeita de infecção chega a um hospital, se a viremia (presença do vírus no sangue) já acabou, fazemos a sorologia para saber se ele foi infectado. Mas seria muito melhor ter a confirmação por meio de um teste de urina, porque não haveria risco de falsos negativos. Isso produziria diagnósticos mais precisos, mais rápidos e mais seguros, além de nos fornecer estatísticas melhores para compreender e combater a doença”, disse Zanotto.

Zanotto ressaltou que, apesar de não existirem evidências de contaminação em áreas urbanas, essa é uma possibilidade que deve ser monitorada. “O risco de um surto urbano existe, até porque ele já aconteceu aqui antes”, alertou. Desde 1942, todos os casos de transmissão da doença ocorreram em área de mata.

Se previna

Como a transmissão urbana da febre amarela só é possível através da picada de mosquitos Aedes aegypti, a prevenção da doença deve ser feita evitando sua disseminação. Os mosquitos criam-se na água e proliferam-se dentro dos domicílios e suas adjacências.

Qualquer recipiente como caixas d’água, latas e pneus contendo água limpa são ambientes ideais para que a fêmea do mosquito ponha seus ovos, de onde nascerão larvas que, após desenvolverem-se na água, se tornarão novos mosquitos.

A única forma de evitar a Febre Amarela é através da vacinação. A vacina está disponível gratuitamente. A vacina é contraindicada para crianças menores de seis meses, idosos acima dos 60 anos, gestantes, mulheres que amamentam crianças de até seis meses, pacientes em tratamento de câncer e pessoas imunodeprimidas.

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