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Folha demite jornalistas por causa de tuítes

A Folha de São Paulo demitiu dois jornalistas na semana passada por uso indevido do Twitter. O editor-assistente de política do jornal, Alec Duarte, e a repórter do Agora SP, Carol Rocha, trocaram mensagens sobre a morte do ex-vice-presidente José Alencar por meio da rede social no último dia 29, confira os tuítes :


Veja : Natura faz liquidação, (acesse aqui)

Repórter da Folha: “Nunca um obituário esteve tão pronto. É só apertar o botão.”
Repórter do Agora: “Mas na Folha.com nada ainda… esqueceram de apertar o botão. rs”
Repórter da Folha: “Ah sim, a melhor orientação ever. O último a dar qualquer morte. É o preço por um erro gravíssimo. Completou o editor, fazendo referência ao episódio quando o jornal noticiou erroneamente a morte do ex-senador Romeu Tuma, em 2010.

Os tuítes não foram (em nossa opinião) adequados, mas seria o ponto de uma demissão?

[adrotate block=”2”]Em seu blog, Carol publicou uma cópia do e-mail que ela enviou a ombudsman do jornal, Suzana Singer, após a sua demissão.

“ Você não acha hipocrisia o jornal negar _ou censurar comentário sobre o tema_ que depois da notícia errada sobre a morte do Tuma, os cuidados foram redobrados? Nada mais natural. ”

E completou :  “Estou sendo bem honesta quando digo que não entendi o que pode ter de tão grave naquelas três postagens, para culminar com a minha demissão e também do meu amigo, Alec. As mensagens não tiveram repercussão nenhuma, com exceção da sua crítica. Ninguém retuitou, nenhum leitor se sentiu ofendido”, escreveu ela, fazendo referência à coluna da ombudsman que abordou o assunto.”

coluna de ontem da ombudsman também abordou o assunto. De acordo com o texto, “o repórter é seguido, curtido, recomendado, também como um representante do lugar em que trabalha. Em um comunicado de 2009, que merece ser atualizado, a chefia da Redação lembrava que todos devem seguir os princípios do projeto editorial quando estiverem on-line”.

E Carol em seu Blog  levanta o debate :

“A minha conclusão é a seguinte: os jornais subestimam a inteligência dos leitores. Para a ombudsman, não é bom lembrar os leitores que o jornal erra. Também não é bom admitir, em público, que o jornal que briga e exige liberdade de expressão pratica censura interna. Além do meu caso, quem não se lembra do Falha de S.Paulo? Eu ainda não perdi a esperança de encontrar um dia numa redação um editor corajoso como o Ricardo Noblat, que teve a honestidade de manchetar um“erramos” no Correio Braziliense (e levou o Prêmio Esso por isso).”

A questão maior neste caso é a seguinte : um veiculo de comunicação que luta pela liberdade de imprensa pode censurar seus jornalistas ?

No caso das redes socias, onde termina o profissional para começar o pessoal ?

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