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Sony manda trabalhador para 'sala do tédio'

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No Japão o emprego vitalício tem sido norma há muito tempo, e grande demissões em massa é um tabu que as empresa não conseguem quebrar, como a Sony que envia seus funcionários para um sala pequena, onde o funcionário senta-se e passa o tempo lendo jornais, navegando na internet e estudando livros didáticos e depois deve fazer um relatório sobre suas atividades ao final de cada dia.

Como aconteci com Tani, que trabalha na Sony há 32 anos. A Sony cortou seu posto no Centro de Tecnologia Sony em Sendai, que em melhores épocas produziu fitas magnéticas para vídeos e cassetes. Porém, Tani, se recusou a aceitar a proposta de aposentadoria antecipada oferecida pela Sony no final de 2010; a escolha é dele segundo a lei trabalhista japonesa.

Assim, ele fica sentado na chamada “sala da busca”. Ele passa os dias lá, com aproximadamente outros 40 resistentes. “Não vou sair”, disse Tani. “As empresas não deveriam agir assim. É desumano.”

Miwako Sato, que entrou na Sony após deixar o colégio em 1974,

O impasse entre os trabalhadores e a gerência da fábrica de Sendai ressalta uma batalha em processo de intensificação quanto às práticas de contratação e dispensa no Japão, onde o emprego vitalício tem sido a norma há muito tempo e as dispensas em larga escala continuam sendo um tabu social, pelo menos nas maiores companhias japonesas.

A Sony afirmou que não estava fazendo nada errado em colocar os funcionários no que chama de Salas de Design de Carreira. Os empregados são orientados a encontrar novos postos no grupo Sony ou em outra empresa. A empresa também disse que oferecia aos trabalhadores pacotes generosos de aposentadoria antecipada.

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Para os críticos, além das mudanças trabalhistas, existe algo mais importante em jogo. Eles advertem que facilitar o corte de empregos destruiria o tecido social japonês em prol dos ganhos empresariais, causando desemprego em massa e acentuando a desigualdade de renda. Para um país que há muito tempo se orgulha da estabilidade e renda relativamente justa, tal mudança seria inaceitável.

“O Japão não deveria tentar ser esse tipo de país”, declarou Takaaki Matsuda, que dirige a divisão de Sendai do sindicato de trabalhadores da Sony.

Seria uma alteração radical. Uma combinação de emprego vitalício, salário baseado no tempo de casa e lealdade intensa do empregado à firma foi a fórmula que teria levado ao milagre econômico japonês do pós-guerra, enquanto estabilidade e crescimento andavam de mãos dadas. Porém, quando a economia japonesa tropeçou no começo da década de 1990, as empresas viram que as práticas trabalhistas rígidas tornavam impraticável o enxugamento.

Em vez disso, os trabalhadores não necessários ficavam com pouca coisa a fazer além de olhar pela janela, dando origem ao termo “madogiwa zoku”, a “tribo sentada à janela”.

Os defensores da modificação trabalhista assinalam que as proteções rígidas para os trabalhadores levaram as empresas a fazer grandes cortes na contratação, reduzindo as oportunidades para um grande número de jovens japoneses. A Sony contratou 160 universitários recém-formados neste ano fiscal; em 1991, o número ficou em torno de mil.

Written by Leandro Isola

Criador do Porta Elos, formado em Gestão de TI e pai do João Olavo. É apaixonado livros e boa informação.

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